O sobrinho da advogada Cláudia Félix de Oliveira, de 51 anos, assassinada a tiros dentro de casa em Itororó, no sul da Bahia, foi preso nesta sexta-feira (7), em Parauapebas, no Pará. Victor Oliveira da Silva, de 25 anos, é investigado por suspeita de envolvimento em golpes com negociações fraudulentas de veículos nas regiões de Itabuna e Itapetinga. Segundo a Polícia Civil da Bahia, a investigação sobre os estelionatos tem conexão com o homicídio da advogada. A polícia apura se a dívida contraída por Victor com o homem apontado como mandante da execução está relacionada aos golpes e teria motivado o assassinato da tia. Cláudia foi morta na madrugada de 25 de julho, dentro da própria residência, em Itororó. Um policial militar e um monitor de ressocialização já foram presos, suspeitos de participar do crime. Eles teriam agido com outras duas pessoas, a mando de um homem de 20 anos.
As investigações apontam que o grupo monitorou a advogada nos dias 20 e 21 de julho, antes de invadir a casa e atirar contra ela. A ação foi registrada por câmeras de segurança. A polícia ainda investiga a participação de Victor no homicídio e a atuação dos demais envolvidos. Ele foi localizado em Parauapebas após um trabalho integrado entre as polícias civis da Bahia e do Pará, e estava foragido desde o início de julho.
Contra o investigado, havia um mandado de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos aparelhos telefônicos e documentos que estavam com ele. O material será submetido a análise e poderá contribuir para o avanço das investigações.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Itabuna (DRFR/Itabuna), unidade do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), com apoio de outras unidades da Polícia Civil da Bahia e de setores da Polícia Civil do Pará. A motivação seria uma dívida contraída pelo sobrinho da vítima com o mandante do crime. Tanto o policial militar quanto o monitor de ressocialização foram alvos de uma operação deflagrada em diferentes pontos do estado, que cumpriu dois mandados de prisão preventiva contra eles, além de três mandados de busca e apreensão.
O monitor, de 27 anos, foi preso enquanto deixava o trabalho, no Conjunto Penal de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Durante a ação, os policiais apreenderam com ele uma pistola, dois carregadores e 23 munições. Já em dois endereços ligados ao investigado, em Dias D’Ávila, foram apreendidas duas pistolas de airsoft, um fuzil de airsoft, um colete tático, 67 estojos de munições de diversos calibres, dois rádios comunicadores e um documento pertencente a outro investigado. Conforme informou a Polícia Civil (PC), os materiais apreendidos serão submetidos a análise pericial e integrarão o conjunto de provas da investigação. Já o policial militar, de 29 anos, não teve o local de prisão detalhado. As investigações continuam para localizar os demais envolvidos.
Antes do assassinato, familiares chegaram a ser ameaçados durante cobranças. A polícia apurou que os suspeitos chegaram a obrigá-los a transferir dois veículos como forma de pagamento. O caso levou a família a registrar um boletim de ocorrência por extorsão na Delegacia Territorial (DT) de Itabuna, antes do assassinato. Durante a apuração do caso, dois veículos utilizados no crime foram identificados e apreendidos pela polícia. Foi constatado ainda que os automóveis haviam sido locados e que um deles circulava com placa adulterada.
O crime — Segundo a investigação, Cláudia chegou a ligar para a Polícia Militar (PM) pouco antes de os suspeitos invadirem a casa dela, mas, quando os agentes chegaram, ela já estava morta. O óbito foi atestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O corpo da advogada foi sepultado no dia 26 de julho, no Cemitério Municipal Recanto da Saudade, no distrito de Bandeira do Colônia, em Itapetinga. Na ocasião, a Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) e a Subseção de Itapetinga lamentaram a morte de Cláudia, classificaram o caso como um “bárbaro homicídio” e informaram que acompanhariam as investigações.