Uma ex-servidora do MP de Juruti, vítima de importunação sexual dentro do local de trabalho está lutando por justiça desde o início do ano passado. O caso envolve Josias Amaral, motorista da promotoria de Juruti, terceirizado da empresa Diamond e o ex-promotor de justiça e atual juiz militar em Minas Gerais, Antonio Boregas. Narrou a vítima a O Antagônico que no início de 2025, dentro da promotoria de justiça, durante o expediente, ocorreu uma situação pontual e involuntária: a roupa da servidora estava rasgada.
A apuração do caso e o silêncio – Foi instaurado um procedimento administrativo para apurar a conduta do motorista. Apesar da gravidade do fato, a apuração não avançou. O procedimento permanece aberto há mais de um ano sem conclusão e sem respostas objetivas. Enquanto isso, o homem denunciado continuou exercendo suas atividades normalmente, sem notícia de qualquer medida preventiva. Para a servidora, isso gerou um clima de insegurança e sensação de impunidade. Com o passar do tempo, ficou claro que o sofrimento da servidora já não vinha apenas do que havia acontecido inicialmente, mas da forma como tudo estava sendo conduzido.
Além disso, a vítima diz que a maneira como o caso foi tratado pelo promotor de Justiça configurou um novo problema. Ao procurar essa autoridade, a servidora se sentiu revitimizada, com ausência de escuta adequada, desconsideração do impacto emocional da violência e minimização dos fatos narrados.
“Até mesmo o relato de outra colega sobre desconforto com o comportamento do mesmo colaborador foi completamente ignorado, não sendo levado ao conhecimento formal da autoridade superior.”
Diante dessa postura, ela formalizou uma denúncia contra o promotor Antonio Boregas junto à instância responsável pela fiscalização interna da instituição, questionando a conduta adotada durante o atendimento do seu caso.Nesse contexto, um motorista terceirizado, Josias Amaral, registrou imagens de partes íntimas do corpo dela, sem permissão ou consentimento. O que poderia ter sido apenas um momento constrangedor acabou se tornando um ato de violação de intimidade e dignidade, ocorrido dentro do ambiente de trabalho.
Diante do ocorrido, a servidora decidiu denunciar o que havia acontecido, confiando que a instituição onde trabalhava tomaria as providências necessárias. Ela buscava algo simples e legítimo: respeito, escuta e proteção. No entanto, em vez de ser acolhida, ela passou a enfrentar uma série de dificuldades. Seu relato não foi levado a sério e ela se sentiu desacreditada. A forma como foi tratada ao denunciar trouxe um sofrimento adicional, fazendo com que ela revivesse a violência por meio da própria resposta institucional.
Represálias – De acordo com a vítima, o Promotor, dois dias após a denúncia formalizada, passou a fazer ligações para membros e servidores com quem a servidora já havia trabalhado com o objetivo de obter informações sobre a relação interpessoal desta; formalizou denúncia contra a servidora sobre fato completamente diverso no mesmo bojo das investigações com o intuito de descredibiliza-la profissionalmante; dificultou a nomeação da servidora a um cargo comissionado a que fora indicada, na mesma época; e ainda pediu formalmente a disponibilidade da servidora denunciante.
Sem resposta institucional objetiva ou medidas preventivas, a servidora, se viu obrigada a pedir remoção, mudando-se de cidade para tentar seguir a vida trabalhando normalmente. E depois da queda veio o coice. O procedimento contra o promotor, foi arquivado rapidamente, sem que a servidora tivesse acesso adequado ao que foi analisado. Ela solicitou por diversas vezes a cópia integral do processo, algo essencial para compreender a decisão e, se fosse o caso, questioná-la. Esses pedidos não foram respondidos.
O Antagônico aguarda posicionamento da corregedoria e também do procurador geral do MP do Pará. Em respeito ao contraditório deixamos aberto o espaço para, caso queiram, os citados se manifestem sobre a denúncia.