A boca miúda já roncou nos corredores da grande autarquia federal que atua na Amazônia: tem diretor sabido achando que cargo público é concessionária de luxo. A repartição virou vitrine involuntária para o súbito surto automobilístico do rapaz. Até outro dia, contam os colegas, era um ilustre desconhecido sem patrimônio digno de nota. Bastou assumir o posto, no ano passado, para passar a ostentar uma coleção itinerante de importados reluzentes, sempre pagos “à vista” — detalhe que ele faz questão de deixar claro, ainda que ninguém tenha perguntado.
No estacionamento, o entra-e-sai de carrões já virou atração. A preferência, dizem, é pela marca da estrela de três pontas — talvez para combinar com o novo “brilho” da carreira meteórica. Falta só explicar de onde veio tanta gasolina financeira. Não é só dentro do órgão que o espetáculo causa desconforto. No empresariado, o nome do diretor sabido também já circula com sobrancelhas levantadas e conversas atravessadas. Quando o incômodo sai da repartição e chega ao mercado, o sinal costuma ser menos amarelo e mais vermelho.
Em Brasília, o barulho começa a ganhar forma. Fala-se em denúncias a caminho de órgãos de controle, como a Controladoria-Geral da União e o ministro da área. Por enquanto, tudo no terreno do “dizem que”. Mas, como ensina a prática, onde há fumaça demais… dificilmente é só escapamento novo. Ahhh garoto sabido…