Uma operação de combate ao crime organizado cumpriu, na quarta-feira (15), mandados de prisão preventiva e busca e apreensão no Pará. O Antagônico apurou que foram feitas duas prisões, dos advogados Vinicius Hesketh Neto e Verena Cerqueira dos Santos Cardoso. A ação, batizada de segunda fase da Operação Custos Legis, foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Pará (Ficco/PA) e mira um esquema de vazamento de informações judiciais sigilosas que beneficiava criminosos. As ordens judiciais foram cumpridas em endereços localizados nos municípios de Belém e Capanema, no nordeste paraense.
De acordo com as investigações da força-tarefa, os suspeitos obtinham documentos e detalhes sobre medidas cautelares em andamento que deveriam correr sob segredo de justiça. Essas informações envolviam investigações contra membros de organizações criminosas que atuam no estado. Para conseguir o acesso aos dados confidenciais, o grupo subornava um funcionário público. O servidor utilizava as credenciais e o acesso institucional para consultar e fazer o download de processos sigilosos que tramitavam tanto na primeira instância quanto no segundo grau do tribunal de justiça. A polícia também identificou uma brecha no sistema.
Parte das ações judiciais consultadas indevidamente estava com a classificação de sigilo incorreta no sistema, o que facilitou o acesso e a extração dos dados por parte do servidor público, segundo as investigações. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da Vara de Juiz de Garantias da Região Metropolitana de Belém, após o pedido formalizado pela Ficco/PA. A investigação apura crimes ocorridos entre os meses de novembro e dezembro de 2025. Entre os principais delitos investigados estão violação de sigilo funcional qualificada e corrupção passiva majorada.
A FICCO/PA, responsável pela operação, é uma força-tarefa de segurança pública que reúne esforços de diferentes órgãos de segurança. A composição conta com a atuação conjunta da Polícia Federal (PF), Polícia Civil do Pará (PCPA) e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Segundo a PC, o foco da força integrada é descentralizar e intensificar o enfrentamento às facções e organizações criminosas em território paraense por meio de ações de inteligência.