Entre os dias 20 de julho e 10 de agosto, quatro botos-cor-de-rosa foram encontrados mortos na região do Ariri, comunidade ribeirinha na zona rural de Macapá conhecida pelo turismo ecológico. Os casos levantaram suspeitas de crimes ambientais e preocupam moradores, que pedem atenção das autoridades. A comunidade do Ariri é reconhecida por seu potencial turístico e pela presença dos botos, símbolo da biodiversidade amazônica. A morte desses animais representa uma ameaça ambiental, cultural e econômica para a região.
Os animais apareceram em diferentes pontos: um na entrada do rio Flexal, dois entre a vila do Ariri e o Areal do Matapi, e um filhote próximo à vila do Ariri. A professora Andreia Santiago, moradora da região, registrou em vídeo um dos botos passando em frente ao seu balneário no dia 8 de agosto. Nos dias seguintes, ela e o marido retiraram dois corpos da água.
Segundo relatos locais, a pesca predatória com arpões e mergulho é comum na área, especialmente por visitantes. Embora não haja confirmação de envolvimento dos moradores nativos, essa hipótese não foi descartada. Os botos costumam se aproximar dos cardumes de peixes, atraídos por banhistas que os alimentam. Há também suspeita de relação com a pesca do pirarucu, que ocorre nas proximidades do rio Flexal.
Além disso, há desconfiança de que partes dos botos estejam sendo comercializadas ilegalmente. O óleo da genitália dos animais, por exemplo, é vendido em feiras populares. O produto é considerado raro e estaria em falta, segundo relatos. A possível exportação também preocupa e exige fiscalização.
O boto-cor-de-rosa está classificado como “em perigo de extinção” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Entre as principais ameaças à espécie estão: Caça ilegal; Captura acidental em redes de pesca; Uso como isca na pesca da piracatinga; Contaminação por mercúrio e Fragmentação de rios por hidrelétricas.