O adolescente de 17 anos acusado de assassinar Jenife Silva, santanense de 37 anos, foi condenado a 6 anos de internação — pena máxima prevista para menores de idade na Bolívia. O crime ocorreu em abril de 2025, em Santa Cruz de la Sierra, e a sentença foi proferida em 17 de julho de 2026, após 1 ano e 3 meses de tramitação. A medida socioeducativa será cumprida no Centro de Reintegração Social Fortaleza. O período em que o jovem permaneceu preso preventivamente será descontado do tempo total da pena. A decisão da Justiça boliviana estabelece acompanhamento por mecanismos de Justiça Restaurativa. Além disso, a direção do centro de internação deverá enviar à Justiça relatórios trimestrais sobre o desenvolvimento do plano individual do adolescente. A defesa tem o prazo de dez dias para recorrer.
A morte da jovem gerou forte comoção e deu origem ao movimento #JustiçaPorJenife, que organizou atos de manifestação no Amapá e repercutiu em âmbito nacional. A mobilização reuniu familiares, amigos, entidades de proteção à mulher e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amapá (OAB-AP). O movimento cobrava maior segurança para estudantes brasileiros no exterior e o acompanhamento das investigações por autoridades brasileiras. A pressão levou o caso ao Congresso Nacional, à Procuradoria da Mulher e à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em Brasília, representantes da família e amigos se reuniram no Ministério das Relações Exteriores, com o apoio de lideranças políticas do Amapá.
Após as articulações e pressões diplomáticas, peritos conseguiram extrair dados do celular do acusado, o que permitiu ao Ministério Público formalizar a denúncia. A sentença foi lida oficialmente em 20 de julho, data em que se celebra o Dia do Amigo. Francimone Almeida de Souza, amiga da família que acompanhou as investigações e o processo desde o início, destacou a relevância do desfecho judicial:
“Conseguimos o nosso objetivo, porque 6 anos é a pena máxima para um menor na Bolívia. A leitura da sentença mexeu muito com todos por ter sido no Dia do Amigo. A condenação ocorreu em virtude do material localizado no próprio celular do menor. O que ficou comprovado [na sentença] é a autoria dele.”
O crime — A brasileira natural de Santana (AP) foi encontrada morta em seu apartamento no dia 2 de abril, na Zona Norte de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. De acordo com a polícia boliviana, Jenife morreu por asfixia mecânica. As autoridades classificaram o caso como feminicídio praticado por um adolescente de 17 anos, e a investigação ficou a cargo do Ministério Público da Bolívia. Uma amiga da vítima esclareceu que Jenife havia concluído o curso de Medicina em Santa Cruz, onde residiu por seis anos, e já morava novamente no Amapá. A vítima retornou à Bolívia apenas para buscar o diploma.
Segundo o relatório preliminar da polícia boliviana, o adolescente se apresentou na delegacia e alegou ter uma relação próxima com a vítima. Um dos arquivos extraídos do celular do adolescente mostra que o menor pegou o braço da vítima já sem vida e o colocou sobre o próprio peito. Em outubro de 2025, por decisão da juíza Leda Mirna Ojopi Ribero, o suspeito foi solto. A família informou que a Justiça entendeu que o adolescente poderia aguardar o julgamento em liberdade. Jenife deixou um casal de filhos.