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O Arthur Nobre. O Daniel Castro. As Promoções e a Suspensão

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A governadora do Pará, Hana Ghassan, determinou a imediata suspensão das promoções dos delegados Arthur Nobre e Daniel Castro, investigados por corrupção na policia civil. A portaria deverá ser publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 08.  Os dois delegados são citados em investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA) e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apontam a existência de um esquema de corrupção na cúpula da Polícia Civil. As apurações passaram a ganhar visibilidade a partir de janeiro de 2024, após um atropelamento na Avenida Visconde de Souza Franco, em Belém, que levou à apreensão de celulares e abriu caminho para a descoberta do suposto esquema.

Segundo os investigadores, Arthur Nobre, então diretor da Seccional do Comércio, teria solicitado R$ 25 mil para favorecer o motorista envolvido no caso, com anuência de Carlos Daniel, que ocupava o cargo de Diretor de Polícia Metropolitana. A partir daí, mensagens e interceptações telefônicas indicariam a existência de um “balcão de negócios” dentro da instituição, com negociação de decisões policiais e interferência em investigações.

As apurações também apontam a existência de um esquema mais amplo de fraudes financeiras, envolvendo a falsificação de documentos para obtenção de empréstimos bancários, com movimentações estimadas em cerca de R$ 25,8 milhões. De acordo com os autos, a estrutura utilizaria a própria máquina pública para identificar alvos e viabilizar as fraudes.

Arthur Nobre foi preso três vezes ao longo da investigação: a primeira em maio de 2024, a segunda em agosto do mesmo ano e a terceira em outubro de 2025. Ele também foi exonerado de cargo de chefia e, posteriormente, obteve habeas corpus, passando a responder ao processo em liberdade. Já Carlos Daniel Fernandes de Castro foi afastado das funções em outubro de 2024 e se tornou réu, acusado de participação no esquema e de favorecer a atuação do subordinado em troca de vantagens.

A investigação também identificou o uso de operações policiais como ferramenta para a prática de extorsões. Entre elas, a Operação Truque de Mestre, deflagrada em dezembro de 2023, que, segundo os autos, teria sido utilizada como base para identificar possíveis vítimas. O caso ganhou repercussão nacional em janeiro de 2026, após a divulgação de áudios e mensagens interceptadas, exibidos em reportagem do Fantástico. Em um dos trechos, Arthur Nobre afirma estar “cansado, mas a fim de roubar alguém”, em conversa atribuída aos investigados.

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Jornalista responsável: Evandro Corrêa- DRT 1976