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O Avião Desaparecido. A CPI do INSS. O Piloto. O Amazonense. O Apartamento. O Carro Alugado. A Fazenda em Itaituba. A PC do Pará e a Investigação
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4 semanas atrásem
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O Antagônico
A polícia federal deverá entrar na investigação que apura o desaparecimento do piloto de Araraquara, João Vitor de Lima Franco e do amazonense Marcio Cley Gomes da Silva Júnior e de um avião pertencente à empresa Metta. O avião (foto acima), decolou de Belém no dia 12 de março com destino ao aeroporto de Itaituba, no oeste do Pará. No dia seguinte, 13 de março, a aeronave seguiu para a localidade Sol Nascente, situada a 230 KM de Itaituba. Desde então não se tem notícia da aeronave, do piloto João Vitor e do passageiro Marcio Cley.
O Antagônico levantou, com exclusividade, que o avião, modelo Baron, prefixo PT 00V, que também está desaparecido, é o mesmo que aparece na investigação da CPI do INSS, instaurada pelo Senado Federal em 2025. À época, em depoimento prestado à CPI, o piloto Henrique Traugott Binder Galvão disse que voou na aeronave de 2021 a 2025, quando o avião pertencia ao deputado federal mineiro Euclides Petersen e a Vinicius Ramos, cunhado do presidente Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes. Depois, ainda em 2025, o avião foi vendido para Silas Vaz, um, beneficiário do Bolsa Família, levantando suspeitas de ser um “laranja”.
Dados da CPMI mostram que Vinícius Ramos adquiriu o avião Baron (agora desaparecido no Pará), por R$ 1 milhão, em janeiro de 2025 e revendeu a Silas Vaz por R$ 2,5 milhões em junho. Paralelamente, Euclides Peterson transferiu R$ 2,5 milhões a um instituto entre dezembro de 2022 e 2023, sugerindo possível ligação com a compra da aeronave. O Antagônico levantou junto a ANAC que o avião foi comprado em fevereiro deste ano, após o escândalo do INSS, pela empresa Metta Transportes e Construção Naval Ltda, com sede em Manaus. O colombiano Ivan Adel Gois de Los Rios, dono da empresa, reside em Belém.
Desaparecimento – De acordo com o que foi apurado pela nossa reportagem, no domingo 12, a nacional Nathalia Carolina Silva Coelho, ex-companheira de João Vitor, registrou ocorrência policial na Divisão de Homicídios em Belém, comunicando o desparecimento do piloto. Nathalia procurou a polícia a pedido da mãe de João Vitor, Alessandra Cristina de Lima Franco, que reside em Araraquara, São Paulo.
Na Depol, a ex-companheira disse que João Vitor exerce a função de piloto de avião executivo e agrícola e que possui tatuagem no braço direito com imagem de Nossa Senhora com o coração do Santíssimo, e no braço esquerdo o nome Nathalia. A depoente narrou que o piloto deslocou-se de Araraquara para Belém, no dia 10 de março deste ano, após informar à família que viria trabalhar para a empresa Metta, a qual possuía aeronave modelo Baron, afirmando ainda que realizaria voos de Belém para Manaus/AM. Segundo relato de Nathalia, a empresa teria custeado a passagem aérea de João Vitor.
Na madrugada do dia 12 de março, ainda conforme Nathalia, o piloto entrou em contato com sua mãe, informando estar em local cujo nome desconhecia, tendo enviado localização. Em novo contato, um homem que se identificou como “JP” teria informado que estavam na travessa Lomas Valentinas, em Belém. Ainda na mesma ocasião, João Vitor realizou chamada de vídeo para a mãe, pediu para ser buscado e aparentava estar com dente quebrado.
Posteriormente, no mesmo dia, teria afirmado que estava bem e que iria embora, atribuindo a lesão a impacto com carregador, tendo ainda sido mencionado que teria ido ao dentista naquela data. Consta também que o piloto enviou localização associada ao Condomínio Alabastro, em Belém, após contato com Julia Cotillo Carregari. Já no dia 14, por volta das 14h, João teria voltado a manter contato, informando estar em Itaituba na fazenda Sol Nascente, tendo realizado um PIX e enviado imagem de visualização única em que aparecia parte de uma caminhonete preta em ambiente rural.
Na tarde de ontem, nossa reportagem conseguiu contato com Vitória Emanuelly Santos Felix, responsável pela Fazenda. Ela confirmou que existe uma pista de pouso na fazenda, mas que a mesma estaria inativa a muito tempo. Sobre o pouso do avião na fazenda, Emanuelly disse que desconhecia o fato, tendo tomado conhecimento pela imprensa. A informação da proprietária, no entanto, vai na contramão da investigação da PC do Pará que confirmou, junto a Salvaero, que o avião Baron pousou, de fato, na fazenda.
Ocorrência policial – Consta que na semana passada, no dia 07 de abril, o dono da empresa Metta, o colombiano Ivan Adel Gois de Lois Rios, registrou, na Delegacia Virtual, o desparecimento da aeronave, do piloto e do passageiro. Na ocorrência, Ivan afirma que o piloto João Vitor e o passageiro Marcio Clei, após abastecerem a aeronave no aeroporto de Itaituba, teriam decolado na aeronave com destino a Manaus, não tendo chegado ao destino final nem mantido comunicação acerca de seu paradeiro.
Consta também que no mesmo dia 14, em Manaus, a nacional Inca Larissa Souza Gomes, registrou o boletim de ocorrência de número 00104969/2026, registrando o desparecimento de seu irmão, Marcio Cley Gomes. Na ocorrência, Inca relatou que seu irmão foi trabalhar em Itaituba, na empresa Metta Transportes e que desapareceu juntamente com o piloto em um avião bimotor Baron 58.
Apartamento errado e dente quebrado – O Antagônico apurou que a polícia civil do Pará colheu o depoimento de Maria Angélica Maués da Gama Moura, proprietária de um apartamento situado na Travessa Lomas Valentinas, nº 1510, no edífício Millenia, disponibilizado para locação por temporada por meio da plataforma Airbnb. Segundo a depoente, no dia 09 de março, o interessado na locação se identificou como Marcio Cley Gomes, tendo sido ajustada a locação do imóvel para o período de 10 a 14 de março de 2026.
Inicialmente, o locatário informou que permaneceria sozinho, mas posteriormente mencionou que estaria acompanhado do mecânico de aeronaves Daniel Sardinha Pires Filho. Informou, ainda, a utilização de veículo T-Cross, placa TBY3D08, ano 2025, locado pela empresa Movida. Ainda segundo a depoente, Márcio informou que já se encontrava em Belém, hospedado no Hotel Ibis, e que ingressaria no apartamento após às 18h do dia 10. Contudo, no dia 12, por volta de 12h, a depoente recebeu ligação do zelador do prédio, Sr. Rubens, informando que o hóspede havia adentrado, por engano, no apartamento de uma vizinha, estando visivelmente alcoolizado, fato que teria gerado transtornos e multa à proprietária.
Em razão disso, a depoente solicitou a desocupação do imóvel, com devolução do valor pago, tendo Márcio deixado o local por volta das 15h do mesmo dia. Consta ainda do depoimento que, por volta das 19h do dia 12 de março, Márcio entrou novamente em contato com a proprietária, alegando que não teria sido ele o responsável pela invasão do apartamento da vizinha, atribuindo o fato a um convidado seu e sugerindo a verificação das câmeras de segurança.
Posteriormente, a moradora lesada informou, após análise das imagens, que o autor da invasão não seria nem Márcio, nem Daniel. Depois, no dia 10, após divulgação de matéria jornalística acerca do desaparecimento de João Vitor, a vizinha teria reconhecido, por meio da reportagem, que o indivíduo registrado nas imagens seria o piloto desparecido. A proprietária afirmou ter encaminhado as imagens à mãe do piloto, a qual confirmou tratar-se de seu filho, relatando ainda que, na madrugada do dia da invasão, ele teria aparecido em chamada de vídeo bastante machucado, inclusive com dente quebrado, pedindo ajuda.
Além da já relatada relação do avião Baron com a CPI do INSS, o que deverá atrair a competência de investigação para a polícia federal, é um dado importante que chama a atenção da investigação: o colombiano, Ivan Adel Gois, hipotético dono da aeronave, teria comunicado ao SALVAERO a intenção de realização de novo voo, no dia em 14 de março, com destino a Manaus. Contudo, segundo o órgão aeronáutico, esse voo não teria ocorrido, uma vez que não foi apresentado plano de voo correspondente.
Ainda de acordo com o que teria sido informado por Ivan ao SALVAERO, o destino em Manaus seria um aeroporto de menor porte, vinculado a aeroclube e não o Aeroporto Eduardo Gomes. Contudo, segundo o próprio SALVAERO, não houve registro desse pouso em nenhum dos aeroportos. Persistem como relevantes, para a polícia do Pará, a confirmação oficial dos dados do plano de voo, rota, pouso, decolagem, operador, propriedade e histórico da aeronave PT-OOV junto à ANAC, RAB, DECEA, SALVAERO e demais órgãos competentes.
Já houve identificação formal e oitiva de pessoas mencionadas nos autos e a obtenção e análise das imagens dos edifícios, hotéis, clínica odontológica e demais locais citados. Agora, a PC do Pará concentra as investigações na direção da Fazenda Sol Nascente, última parada da aeronave. O Antagônico obteve, e publica abaixo, imagem de arquivo de voo do Baron PT OOV, que segue desaparecido. Assista a imagem:
