O Cassazum voltou a funcionar. A reabertura, no entanto, não encerrou as dúvidas que cercam o fechamento do clube, nem afastou os questionamentos sobre a forma como foram conduzidas as relações com concessionários que, por anos, exploraram atividades no local. Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio teria origem em um desgaste institucional entre a atual gestão do clube e o COMAR, conflito que, segundo pessoas que acompanham o caso, remonta ao processo eleitoral que definiu a última diretoria da entidade. Desde então, decisões administrativas passaram a ser interpretadas como reflexo de uma disputa de poder.
Durante décadas, parte significativa da estrutura do Cassazum funcionou por meio de concessões privadas. Cozinha, academia, ginásio e, principalmente, as tradicionais arenas de futebol eram exploradas por particulares, com conhecimento e anuência das administrações que se sucederam no clube. O fechamento das atividades, entretanto, teria ocorrido sem que diversos concessionários recebessem esclarecimentos formais sobre a continuidade dos contratos, eventual indenização ou mesmo critérios para retomada das operações.
Nos bastidores, circula a versão de que o clube estaria se valendo de sua vinculação histórica às Forças Armadas para sustentar posições jurídicas que dispensariam o cumprimento de obrigações assumidas ao longo dos anos. Até o momento, não há manifestação pública da administração do Cassazum respondendo especificamente a essas alegações. A reportagem apurou que pelo menos parte dos antigos concessionários das arenas de futebol já teria recorrido ao poder judiciário em busca de indenização pelos prejuízos decorrentes da interrupção das atividades.
Os processos, caso confirmados, deverão definir se houve responsabilidade do clube pelos danos alegados. Enquanto isso, a reabertura do Cassazum devolve aos associados um importante espaço de lazer. Mas também recoloca em evidência uma questão que permanece sem resposta.