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Reabertura

O Cassazum. O Processo de R$ 3,6 Milhões. O COMAR. As Concessões. As Empresas Privadas. O Contrato e o Silêncio

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O Cassazum reabriu as portas. Mas, ao que tudo indica, o imbróglio que levou ao seu fechamento está longe — muito longe — de ser encerrado. As antigas concessões, os contratos privados e a atuação do Comando da Aeronáutica são cadáveres insepultos cujo desenterramento promete revelar um enredo bem mais complexo do que aquele apresentado inicialmente ao público.

Uma ação que tramita na Justiça Federal, com valor atribuído de R$ 3,6 milhões, colocou sobre a mesa contratos, termos aditivos, comunicações administrativas, relatórios de fiscalização e documentos internos ligados à exploração de áreas do Cassazum por empresas privadas. O processo foi ajuizado pela Arena Cassazum Esportes Ltda., que afirma atuar no local desde 2016 por meio de contratos celebrados diretamente com a Associação Cassazum. Segundo a empresa, a parceria foi renovada sucessivamente, recebeu investimentos vultosos e teve sua vigência prorrogada até 2038. A Arena sustenta que transformou uma área sem estrutura em um complexo esportivo, gerou empregos, manteve trabalhadores registrados e operou publicamente por quase uma década — até ser impedida de funcionar com o fechamento do clube.

Mas o que mais chama atenção não é apenas a disputa contratual. É a história pouco crível de que o COMAR não sabia de nada. Em 1º de outubro de 2025, a própria Aeronáutica enviou ofício ao Cassazum solicitando uma extensa relação de documentos. Entre eles, pedia expressamente a “cópia do contrato que autorizou a cessão da área da Associação para funcionamento da Arena de Futebol Society”. Poucos dias depois, em relatório de fiscalização datado de 22 de outubro, a Administração Militar voltou a mencionar de forma explícita a “instalação e funcionamento da Arena Society”, ao lado de academia, restaurante, empresas prestadoras de serviço e outras ocupações privadas existentes dentro do imóvel federal.

Ou seja, para bom entendedor, a Arena não era invisível. A atividade não estava escondida. O contrato era conhecido — a ponto de ter sido especificamente requisitado pela fiscalização. Some-se a isso o fato de que, na resposta encaminhada pelo Ofício nº 86/CASSAZUM/2025, a própria administração do Cassazum declarou que, desde a fundação do clube, conduzia parcerias com terceiros e mantinha as autoridades militares informadas.

Diante disso, fica patente: alegar ignorância dos fatos é, no mínimo, leviano.

Com a palavra, os envolvidos.

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Jornalista responsável: Evandro Corrêa- DRT 1976