Uma eleição realizada por enquete em um grupo de WhatsApp colocou o Conselho Estadual de Cultura do Pará no centro de uma crise institucional. Documentos obtidos pela reportagem mostram que a escolha de Domingos Jorge Ramos Salles para a vice-presidência do colegiado é alvo de uma denúncia encaminhada ao Ministério Público do Estado, que pede a nulidade absoluta do processo por supostas violações ao Regimento Interno — entre elas, votação restrita à sociedade civil, participação simultânea de titulares e suplentes e ausência de assembleia extraordinária.
A controvérsia eleitoral não é um episódio isolado. Um conjunto de documentos registra o acúmulo de denúncias de assédio moral, misoginia, constrangimentos públicos e outras formas de violência institucional contra mulheres no ambiente do Conselho e da Política Nacional Cultura Viva, incluindo uma moção de repúdio, um boletim de ocorrência e uma denúncia formal apresentada à Ouvidoria do Ministério da Cultura.
Segundo apurado pela reportagem, quando foi indicado à Secretaria de Estado de Cultura (Secult) para homologação da eleição, Domingos Jorge Ramos Salles já respondia a uma execução judicial movida pelo próprio Estado do Pará, decorrente de decisão definitiva do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que cobra cerca de R$ 766 mil relacionados à prestação de contas de recursos públicos. Mais do que uma disputa interna, o caso coloca em debate a transparência, a governança e a credibilidade do principal órgão de participação social da política cultural paraense.