Na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, o médico e candidato ao governo do Pará Daniel Barbosa Santos, o Dr. Daniel, declarou patrimônio total de R$ 4.753.760,80. Levantamentos do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), no entanto, apontam que os ativos reais associados ao político podem superar significativamente os valores oficiais, levantando suspeitas de ocultação de bens, corrupção e lavagem de dinheiro. O patrimônio declarado inclui dinheiro em espécie, propriedades rurais e veículos, mas investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) colocam em dúvida a compatibilidade desses valores com a evolução patrimonial do gestor.
Segundo o sistema da Justiça Eleitoral, a declaração de bens de Daniel Santos está dividida em:
- Propriedades rurais (3 itens): R$ 3.150.000,00 (sendo uma de R$ 1,8 milhão, uma de R$ 1,0 milhão e outra de R$ 350 mil)
- Casas e terrenos: R$ 1.000.760,80 (uma casa de R$ 692 mil e dois terrenos de R$ 170 mil e R$ 138,7 mil)
- Veículos automotores (2 carros): R$ 391.000,00 (um de R$ 240 mil e outro de R$ 151 mil)
- Dinheiro em espécie: R$ 112.000,00
- Cotas de empresa agropecuária: R$ 100.000,00
As operações policiais e ações do MP contestam a origem e a dimensão desse patrimônio:
Operação Hades e afastamento do cargo — O MPPA deflagrou a Operação Hades, acusando Daniel Santos de fraudar licitações em troca de propinas pagas na forma de bens. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 140 milhões em bens do prefeito e seu afastamento do cargo. Segundo os promotores, contratos públicos teriam financiado uma fazenda de R$ 16 milhões em Tomé-Açu, uma retroescavadeira de R$ 870 mil e cotas de um jatinho Cessna Citation Jet.
Liminar do STJ — Após o ministro Sebastião Reis Júnior (STJ) conceder liminar permitindo o retorno temporário de Daniel à prefeitura, o MPPA divulgou nota reafirmando que a decisão não analisou o mérito e que o bloqueio de bens e as provas de “condutas criminosas indiscutíveis” permaneciam válidos.
Operação Hades II e força-tarefa — O MPPA criou a Força-Tarefa Ananindeua e deflagrou a Operação Hades II para apurar a compra de imóveis urbanos de alto valor registrados em nome de empresas interpostas e quitados por empreiteiras contratadas pela prefeitura.
Pedido de afastamento — A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou parecer ao STJ reforçando o pedido de afastamento do prefeito. A PGR revelou a compra de uma mansão à beira-mar em Fortim (CE), avaliada em R$ 4,1 milhões, quitada por meio de dez depósitos feitos por fornecedores do município na conta da esposa do gestor.
Repercussão nacional — Reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, detalhou os documentos reunidos pelo MPPA, incluindo relógios de luxo apreendidos e o uso de jatinho privado mantido por empresários beneficiados com dezenas de milhões em contratos na saúde e infraestrutura de Ananindeua.