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Suspensão

O Instituto Verita. A Pesquisa Para Governo do Pará. A Justiça Eleitoral e a Suspensão

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A justiça eleitoral do Pará suspendeu, em decisão do dia 10 de julho, a divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto Verita sobre a disputa ao governo do estado. A pesquisa estava registrada no Sistema PesqEle sob o número PA-09674/2026 e tinha divulgação prevista para o dia 12 de julho. Na decisão, a juíza auxiliar Carina Cátia Bastos de Senna, relatora no TRE-PA, apontou que o instituto pretendia apresentar os dados sobre a distribuição da amostra por municípios e bairros somente depois de divulgados os resultados, o que, segundo a decisão, inverte a lógica da norma eleitoral e impede qualquer fiscalização prévia por partidos e Ministério Público.

A decisão também considerou insuficiente a comprovação da origem dos recursos usados para bancar o levantamento, orçado em R$ 117.425,00 e declarado como autofinanciado, já que o instituto apresentou apenas um demonstrativo contábil genérico. Descumprir a ordem sujeita o instituto a multa diária de R$ 5.000,00. O episódio paraense não é um caso isolado. Levantamento de decisões judiciais mostra que o Instituto Verita teve pesquisas suspensas ou questionadas neste mesmo ciclo eleitoral em pelo menos oito outros estados.

Na Paraíba, o instituto acumulou duas suspensões, uma delas com o TRE-PB registrando expressamente que a empresa já apresentava um “padrão sistêmico de comportamento”, com pesquisas idênticas suspensas também em Pernambuco, Alagoas, Paraná, Piauí e Goiás pelos mesmos vícios metodológicos. Em Pernambuco, a Justiça suspendeu pesquisa do instituto sobre a disputa ao governo do estado por indícios de falhas metodológicas, inconsistências estatísticas e deficiência de transparência na descrição da coleta de dados.

No Distrito Federal, uma pesquisa foi suspensa depois que se constatou que o questionário aplicado incluía perguntas sobre a disputa presidencial, cargo que não constava do registro original, feito apenas para governador e senador. No Rio Grande do Norte, o mesmo juiz eleitoral suspendeu duas pesquisas diferentes do instituto por inconsistências metodológicas e falhas de registro. No Paraná, uma pesquisa do instituto foi suspensa por falta de clareza na origem da amostra e, dias depois, o próprio registro desapareceu do Sistema PesqEle horas antes da data em que poderia ser divulgado, sem explicação pública do instituto ou do TSE.

O mesmo instituto também já havia apresentado, em pesquisa sobre Santa Catarina, uma descrição de amostra que citava municípios do Maranhão, corrigindo o erro apenas após o prazo regulamentar. Especialistas ouvidos pela imprensa política ponderam que um questionamento isolado não invalida automaticamente uma pesquisa registrada, mas alertam que a repetição de decisões judiciais desfavoráveis em tantos estados diferentes, todas girando em torno dos mesmos problemas de transparência metodológica, tende a corroer a confiança pública nos levantamentos do instituto.

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Jornalista responsável: Evandro Corrêa- DRT 1976