O número que mais chama atenção na nova pesquisa Meio/Ideia sobre as instituições brasileiras é este: 7,3% dos entrevistados dizem ter muita confiança no Supremo Tribunal Federal.
Só 7,3%.
O levantamento foi realizado entre os dias 4 e 7 de setembro, justamente quando a crise envolvendo o Banco Master, Alexandre de Moraes, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República já ocupava boa parte do noticiário.
A pergunta era simples: qual é a sua confiança no Supremo Tribunal Federal?
Além dos 7,3% que responderam “muita”, 31,2% disseram ter alguma confiança. Na outra ponta, 28,4% têm pouca e 21,3%, nenhuma. Outros 11,7% não souberam responder.
Juntando pouca e nenhuma, chegamos a 49,7%. Muita e alguma somam 38,5%.
Não significa que metade do país rejeite todas as decisões do Supremo, nem é isso que a pesquisa perguntou. O dado mede confiança. E, por isso mesmo, merece atenção.
Outra pergunta foi ainda mais dura para a Corte.
O instituto perguntou se os ministros do STF decidem mais por interesse próprio do que pela lei. 51,6% concordaram com a afirmação. Apenas 10,9% discordaram. Outros 23,9% ficaram numa posição intermediária e 13,6% não souberam responder.
A pesquisa também quis saber como a população está enxergando o episódio envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
O assunto já era conhecido por 75,5% dos entrevistados. Entre as respostas sobre o alcance do problema, 40,5% disseram que ele atinge tanto o ministro quanto o STF. Outros 30% consideraram que é um problema do Supremo como instituição. Para 18,2%, trata-se de uma questão particular do ministro.
Há uma leitura possível a partir desses números que não deve ser ignorada. Somando quem vê um problema do STF com quem enxerga problema tanto em Moraes quanto na Corte, são 70,5% atribuindo ao episódio alguma dimensão institucional.
Não é um percentual fornecido pronto pelo instituto. É a soma das duas respostas da própria pesquisa. E faço essa ressalva porque, numa discussão dessa gravidade, é melhor deixar claro de onde sai cada número.
O desgaste também aparece quando o Ideia pergunta sobre outras instituições.
Na Polícia Federal, 16% têm muita confiança e 23,1%, alguma. Pouca confiança é a resposta de 26,8%, enquanto 21,7% dizem não ter nenhuma. Outros 12,5% não sabem.
Resultado: 48,5% têm pouca ou nenhuma confiança na PF. Muita ou alguma somam 39,1%.
No Ministério Público, 13,9% responderam que têm muita confiança e 26,5%, alguma. Já 29,4% disseram ter pouca e 17,7%, nenhuma. Outros 12,5% não souberam responder.
Nesse caso, pouca e nenhuma chegam a 47,1%. Muita e alguma ficam em 40,4%.
Os números de Polícia Federal e Ministério Público constam do material divulgado com a pesquisa.
Há um cuidado importante aqui. Supremo, Polícia Federal e Ministério Público não existem para ganhar concurso de popularidade. Muitas vezes terão de investigar, acusar ou decidir contra aquilo que uma parcela da população deseja.
A questão levantada pela pesquisa é outra: confiança.
E confiança não se resolve com canetada, discurso ou nota oficial.
Quando apenas 7,3% respondem que confiam muito no Supremo e mais da metade concorda que ministros decidem mais por interesse próprio do que pela lei, existe um problema de percepção pública. Pode-se discutir a origem dele, quem contribuiu para isso e até quanto dessa percepção é justa ou injusta. O número, porém, está ali.
E aparece a menos de um mês da eleição presidencial.
A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07935/2026.
Fonte: Felipe Vieira