Ainda vai render, e muito, em terras paraenses, a Operação Metástase, deflagrada esta semana pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra um esquema interestadual de roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Desde a deflagração, há muitos empresários e donos de farmácia no Pará que não pregam o olho. Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), a quadrilha tinha apoio do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou R$ 33 milhões em apenas um ano e utilizava empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado.
As cargas subtraídas eram levadas para o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Dali, o núcleo de receptadores pagava os larápios, armazenava, fracionava e distribuía os medicamentos para todo o país por meio de farmácias fictícias.
Na operação, foram presos Carlos Roberto Fernandes, Fernanda Rodrigues França, Guilherme Silva Lopes de Sena (companheiro de Fernanda), Stefano Montovani Fernandes e Umberto Xavier de Lima. Os agentes cumpriram, no total, cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ, em quatro estados. No Rio de Janeiro, as equipes foram ao Complexo da Maré — onde houve intenso tiroteio e barricadas incendiadas — e a endereços na Baixada Fluminense.
Também foram cumpridos mandados em São Paulo (capital, Santo André e São Caetano do Sul), Goiás (Goiânia) e Pará (Belém), com o apoio das polícias locais. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens utilizados pelo grupo para ocultar o patrimônio. Os agentes constataram a participação da quadrilha em pelo menos 40 crimes semelhantes nos últimos seis meses.