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Belém. O Coronel Ludgero. O Otrope. 1970.  O Avião. A Queda na Baia de Guajará. Os 31 Mortos. O Brasil de Luto 

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O Antagônico relembra hoje um grave acidente aéreo ocorrido em Belém em 1970, na madrugada do dia 14 de março de 1970, quando um avião errou o pouso no aeroporto da capital paraense, mergulhando na Baia de Guajará. No sinistro morreram os humoristas Luiz Jacinto Silva, o “Coronel Ludgero”, Irandir Costa o “Otrope”, e toda a equipe dos artistas.

A aeronave da Paraense Transportes Aéreos levava 36 pessoas, entre passageiros e tripulantes. O acidente deixou 31 mortos. No dia anterior, um avião Hirondelle, da Paraense Transportes Aéreos, havia caído na água quando tentava pousar no aeroporto de Belém. Somente três pessoas foram retiradas com vida do aparelho. A morte do ídolo foi uma tragédia. Luiz Jacinto tinha 41 anos. Viajava com companheiros em uma turnê rodando pelo Brasil. O corpo de Luiz Jacinto só foi encontrado no dia 30 de março e sepultado um dia depois, ironicamente em 01 de abril, Dia da Mentira, em Caruaru.

Início no rádio – Luiz Jacinto começou sua vida artística na Rádio Cultura do Nordeste, em Caruaru-PE, sua terra natal, onde fazia o programa das 12h30min sob o patrocínio da Manteiga Turvo. Em 1960 conheceu Luiz Queiroga, que, com o incentivo do radialista Hilton Marques, criou o personagem Coronel Ludugero.

Logo no início, o Coronel Ludugero se apresentava sozinho, mas logo depois conheceu também Irandir Peres Costa (Otrópe). Apesar de muita gente não saber, e o personagem de Dona Felomena ser mais conhecido com a atriz Mercedes Del Prado, nos primeiros programas o mesmo personagem, com o nome de Dona Rosinha, era interpretado por Rosa Maria, outra atriz de muito talento.

Coronel Ludugero – O personagem retratava com bom humor a figura lendária dos coronéis, muitos dos quais pertenciam à Guarda Nacional e gozavam de grande prestígio junto a população. Era um homem simples de poucas palavras, amante da verdade e sincero. Gabava-se de si próprio.

Contador de histórias fantásticas, era casado com dona Filomena. Bom aboiador, bom cantador de viola e poeta.Mantinha um secretário (Otrópe) que o orientava nos negócios e nas questões políticas. Ludugero se sentia feliz em contar histórias, dando expansão ao seu gênio brincalhão, quando não estava em crises de impaciência e nervosismo.

Legado – Depois da morte do Coronel Ludugero e de Otrópe, lançaram-se outros personagens tentando resgatar o riso perdido com a triste tragédia. Entre eles, Coroné Ludrú e Gerômo, Coroné Caruá e Altenes, Seu Pajeú e Zé Macambira, esses com a produção e direção de Luiz Queiroga. Até hoje, os personagens são lembrados e revividos em épocas juninas por atores amadores e admiradores dos tipos.

Na cidade de Caruaru foi criada, na Vila do Forró, a miniatura da casa do Coronel Ludugero e da Véia Felomena, onde é grande a visitação por turistas. Durante os festejos juninos desta cidade podem ser vistos personagens caracterizados, desfilando pelas ruas, relembrando esses artistas.

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Jornalista responsável: Evandro Corrêa- DRT 1976