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Minha casa Minha Vida

Jader Filho. O Ministério das Cidades. O Minha Casa Minha Vida e a Euforia das Empresas

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Jader Filho, irmão do governador Helder Barbalho, mal chegou no Ministério das Cidades e já está animando seus amigos empresários. A sinalização de que o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva reforçará os recursos para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que financia moradia para a baixa renda, deu um ânimo extra para as construtoras. Empresas como MRV, Cury e Tenda, cujos negócios foram acelerados pelo MCMV em um passado recente, registraram alta de até 10% na Bolsa de Valores nesta quinta-feira (5/1). Outras construtoras com menor volume de negociação na Bolsa dispararam ainda mais – é o caso da Helbor e PDG, que

A corrida pelas ações se deu após uma entrevista de Jader Filho, novo chefe do Ministério das Cidades, ao canal Globonews, na tarde de hoje. Na fala, o ministro prometeu que retomará, ainda em janeiro, as obras de 5 mil imóveis do MCMV que estão atualmente paradas.  “Recebi de Lula a orientação de que o foco principal do ministério tem que ser o Minha Casa, Minha Vida”, disse o filho mais novo de Jader Barbalho. .

Em 2023, o novo governo reservou R$ 10 bilhões para ressuscitar o Minha Casa Minha Vida. Os recursos serão usados principalmente para finalizar a construção de 83 mil imóveis que começaram a ser erguidos nos últimos anos, quando o programa foi rebatizado de Casa Verde e Amarela.

Com a volta de Lula à Presidência, o MCMV volta ao nome original. Segundo o ministro das Cidades, os recursos serão empenhados principalmente na faixa 1 do programa, que é destinada para famílias com renda de até R$ 1.800. Nessa faixa, o subsídio é de até 90% – ou seja, o governo custeia quase todo o valor do imóvel e o comprador parcela os 10% restantes em até 120 meses.

Nos últimos anos, a falta de recursos públicos fez minguar as faixas do MCMV de maior subsídio. Sem espaço no Orçamento, o governo tentou dar fôlego para o programa focando nas faixas 2 e 3, em que os recursos injetados diretamente pelo Tesouro são menores, e o benefício é concentrado em taxas menores de juros providas pela Caixa Econômica Federal.

Para as construtoras, a mudança no perfil do programa foi um mau negócio. Com a Caixa focada em outros programas de governo, como o pagamento do Auxílio Emergencial (que agora voltará a se chamar Bolsa Família), a liberação de recursos se tornou morosa. A falta de dinheiro do Tesouro e da Caixa atrasou e paralisou obras do programa em todo país.

A disparada da taxa básica de juros para o atual patamar de 13,75% ao ano também foi um freio para o programa. Muitas famílias deixaram de ter a renda necessária para financiar um imóvel, mesmo com as condições mais atrativas da Caixa. Agora, a expectativa é que o governo volte a tratar o MCMV como prioridade.

O programa está longe da bonança do período do segundo governo Lula e primeiro governo Dilma, quando a construção de moradia popular recebia uma dotação anual orçamentária de cerca de R$ 40 bilhões. Mas os R$ 10 bilhões previstos inicialmente para retomar o programa já são um alívio para as construtoras, como mostram as ações da Bolsa.

No auge, o Minha Casa Minha Vida chegou a representar mais da metade dos lançamentos de imóveis novos no país. Diversas construtoras fizeram um reposicionamento de negócios nessa fase para tentar surfar a onda de concessão de recursos públicos.

A lógica era simples: era melhor ter o governo como cliente do que diversas famílias. O cronograma e as garantias de recebimento do dinheiro eram mais atrativas para o setor. Entre os negócios que pegaram carona e cresceram junto com o programa estão a mineira MRV e a Cury, uma construtora controlada pela Cyrela, empresa até pouco tempo atrás focada em empreendimentos de média e alta renda.

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Jornalista responsável: Evandro Corrêa- DRT 1976